Cinema – Closer: Perto Demais

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Closer – perto demais
janeiro de 2005, EUA, drama, romance, 98 min.
Diretor: Mike Nichols
Elenco: Julia Roberts, Jude Law, Natalie Portman, Clive Owen

Tão perto…
Olhei, rapidamente, o cartaz e entrei na sala, meio vazia. Gostei do título, o diretor, interessante, e fiquei curiosa com algumas, poucas, resenhas, que havia lido. E mais, um filme com Julia Roberts, em circuito alternativo, já era algo para se observar. Antes,  entretanto, caro leitor, de continuar a acompanhar essa mera divagação, que tal uma trilha sonora? Claro, a música-tema de Closer. Alguns segundos para acessar no youtube, The Blower´s Daughter, de Demien Rice.
Vale a pena! Sem dúvida, um dos pontos altos do filme.
Sem mais rodeios, com o som certo, vamos lá!
Talvez, seja possível traçar as impressões que Closer causa nos expectadores. Contudo, serei sucinta e tentarei expor as impressões causadas em mim (sim, sei que sou uma porcentagem ínfima dos que apreciaram a película de Nichols. Só que me perdoem, já que acho bem mais fácil falar do que é passível de me tocar, do que o que pode tocar ou não a outra pessoa. Um defeito? não sei. Como psicóloga poderia me dar o direito de enveredar pela interpretação alheia, mas sou uma aprendiz, ainda e, prefiro que a interpretação seja pessoal e intransferível, assim, encarem esse texto como uma versão do que o que filme pode suscitar, apenas isso).
A trama gira em torno das relações entre dois casais: uma stripper (Portman), um jornalista de obituários e futuro escritor frustrado (Law), um médico (Owen) e uma fotógrafa (Roberts, em uma atuação surpreendente, contida e sem as risadas histriônicas, que a caracterizam em outros trabalhos, aos fãs da diva, seguem minhas desculpas pela impressão).
O tema trata de um momento bem especial do amor: quando ele acaba e vai além, tenta elencar alguns por quês, bem dignos de reflexão.
Difícil não fazer uma analogia com o texto de Paulo Mendes Campo, “O amor acaba” (para os interessados http://www.releituras.com/i_eleonora_pmcampos.asp).
É, e o amor acaba. E acaba com o vigor tão irresistível, igual quando começa. E é indescritível a força que o abala, como a terceira lei de Newtow, da ação e reação. O término é tão solene e potente quanto o início.
Hoje, nas minhas parcas especulações psicológicas é fácil perceber a dificuldade de entrega das pessoas. Medo que não assusta a personagem Alice, de Natalie Portman, a que mais se permite aproximar desse sentimento.
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Talvez, estar perto demais cause (desculpem-me, de antemão, a criação do termo) erosfobia. O desespero de ter e perder um grande amor.
Meio clichê, mas observável em cem por cento dos casos: só se perde o que se tem. E, se não se tem, de fato, o compromisso afetivo não dá para perder.
Eu diria que Closer mostra a contra-mão dos filmes românticos, do séc. XXI.E das próprias relações afetivas que se estabeleceram, nesse caótico cenário pós-moderno. O recado do roteiro pode ser visto como um: é preciso viver até o fim, cada emoção que nos assola. Experimentar, experimentar e experimentar deixa um sabor amargo de incompletude; Todavia, se conseguimos nos aprofundar em nosso próprio sentir-o-mundo, no nosso sentir-o-outro, estar perto demais pode ser a experiência mais enriquecedora para um amadurecimento afetivo.
E lá vai o maior segredo de Closer (não, não vou contar o final, para quem ainda não assistiu): sentir a tal ponto suas próprias necessidades e valorizar, com  auto-estima, adequada (mesmo quando se escolhe ser estranho e estrangeiro) o próprio desejo que saber que o fim é, em momentos limítrofes, inevitável. Assim como o reomeço.
Dica (aos que não assistiram e podem querer se aventurar por essa história): os mais sensíveis preparem os lencinhos, lágrimas são inevitáveis. “Hello stranger”
Até a próxima…
Autor: Janaína Modesto
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3 comentários em “Cinema – Closer: Perto Demais

  1. Camila Faria disse:

    O filme é mesmo para pensar – longamente – sobre como relacionamentos são complicados. Lembro de ter gostado bastante quando assisti.

  2. Mirian Krema disse:

    Já assisti umas 5 vx, e sempre me emociono, mas a cd vez, percebo mais coisas e pontos q podem e influenciaram minha vida, mt interessante teu post.

  3. André Alvim Resende disse:

    Adorei! Ótima abordagem e muito bem humorada! Quero mais!

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